sábado, 8 de outubro de 2011

Novo satélite europeu vai 'caçar' energia escura no Universo

Missão foi anunciada pela Agência Espacial Europeia, que também terá uma sonda solar.

(Folha/JC) Na esteira do anúncio do Prêmio Nobel em Física, a ESA (Agência Espacial Europeia) anunciou a decisão de financiar uma missão para estudar a natureza da misteriosa energia escura - força que parece estar acelerando a expansão do Universo. Também foi selecionada para lançamento uma sonda para estudar o Sol, chamada Solar Orbiter. Ela deve voar em 2017. Já o satélite destinado à energia escura, o Euclid, só parte em 2019.

O resultado foi uma má notícia para os cientistas brasileiros envolvidos com um terceiro concorrente por uma das duas vagas no orçamento da ESA, o satélite caçador de planetas Plato. "Foi uma decisão inesperada", afirma Eduardo Janot Pacheco, astrônomo do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP que coordenava o envolvimento nacional. "Mas a ESA já sugeriu que o Plato se apresente novamente daqui a dois anos, quando haverá nova seleção."

O Euclid deve fazer um mapeamento preciso da distribuição das galáxias pelo Universo, com base na análise da luz infravermelha emitida por esses objetos. Na prática, ele gerará um mapa tridimensional do Cosmos. Ele também irá analisar as distorções na luz causadas pelas lentes gravitacionais - efeito em que os raios luminosos são curvados após passar por algum objeto, por ação da gravidade.

"Mais importante do que quanta energia escura tem será o estudo da evolução dela ao longo do tempo", diz Eduardo Cypriano, pesquisador do IAG que participou da concepção do Euclid, mas não integra mais o projeto. Como a observação de galáxias distantes revela as condições do Universo em épocas mais antigas, é possível comparar os resultados de objetos em diferentes distâncias para conhecer a evolução da energia escura.
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